A Secretaria de Saúde de Cáceres informou ontem que, nas últimas três semanas, foram registrados 497 casos de diarréia pelo Pronto Atendimento Municipal (PAM). A maioria dos casos foi diagnosticada como rotavírus, doença infecto-contagiosa sazonal, cujo número aumenta nesta época do ano, em decorrência do tempo seco e baixa umidade do ar. Há registro de número elevado de casos na Capital e em várias regiões do país. Além dos casos que deram entrada no PAM, há ainda outros registros nos postos de saúde da família (PSF), o que eleva para cerca de 600 casos nos últimos vinte dias.
Apesar do surto, não há superlotação nos hospitais em decorrência da doença. No Hospital São Luiz, que atende pelo SUS e pela rede particular, o setor de enfermaria informou que todos os dias há internações de pacientes com sintomas, em média duas pessoas.
A coordenadora de Vigilância Sanitária do município, Arlene Alcântara, afirmou que o trabalho nos postos de atendimento, além de encaminhamento hospitalar, quando necessário, está se baseando principalmente na orientação sobre os cuidados necessários para tratar e se prevenir contra a doença. “A situação está sob controle, e as equipes estão atentas. O rotavírus é uma doença que sempre ocorrer neste período do ano”, informou.
Existem sete sorotipos diferentes de rotavírus, mas somente três deles infectam o homem e causam gastrenterite aguda. Embora haja vacina disponível na rede pública – a criança deve ser vacinada no segundo e no quarto meses de vida -, a pessoa pode ser infectada mais de uma vez, devido à variedade de sorotipos. Apesar de a vacina proporcionar um certo grau de proteção cruzada, que torna mais leve a infecção por um tipo diferente de rotavírus, ela não imuniza contra a doença.
Os sintomas mais comuns e frequentes são diarréia aguda, geralmente aquosa, sem sinais de muco e sangue; vômitos; febre e mal-estar; coriza e tosse (às vezes); e desidratação nos casos graves. A infecção dura alguns dias e, se não tratada, pode evoluiu e causar a morte do paciente.
A rede pública municipal de Saúde em Cáceres diagnosticou a doença em exames de amostragem. A maioria dos casos é de crianças infectadas. A orientação é que a pessoa com suspeita seja encaminhada para atendimento médico o mais rapidamente possível.
Para prevenir a doença, há cuidados básicos de higiene que devem ser adotados diariamente, mesmo quando não há enfermidade: lavar as mãos cuidadosamente e com freqüência, especialmente depois de usar o banheiro e de trocar fraldas de crianças, antes das refeições e quando for preparar alimento; lavar bem e deixar mergulhado em solução desinfetante frutas e legumes que vão ser ingeridos crus; usar água tratada para beber e no preparo de alimentos; ferver a água para beber, quando não houver água tratada disponível; ferver mamadeiras e chupetas;descartar corretamente papel higiênico e fraldas com fezes; usar água sanitária na limpeza, especialmente de vasos sanitários; manter sempre limpos utensílios de mesa e cozinha.
Não existem medicamentos específicos para combater a infecção por Rotavirus, mas o fundamental é manter o paciente hidratado. Pode ser usado o soro caseiro. A indicação é, no caso dos bebês, continuar com o aleitamento materno.
O Rotavirus é transmitido por via oral-fecal, pelo contato direto com as pessoas, por utensílios, brinquedos, água e alimentos contaminados.