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GRAMPOS ILEGAIS: "Se houve algum erro não partiu nem de mim nem do promotor", se defende juiz Jorge Alexandre

16/05/2017 às 18:03

Fonte: Da Redação com Thaisa Assunção

O juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, que teria autorizado a quebra de sigilo telefônico investigado em um suposto esquema de grampos ilegais, envolvendo a alta cúpula do Governo do Estado, afirmou que se houve algum erro no processo, não partiu dele nem do promotor de Justiça do caso.

 

 

   O alegado esquema foi operado por meio da tática chamada "barriga de aluguel", em que teriam sido incluídos clandestinamente os números de adversários políticos do Governo, advogados, médicos e jornalistas em pedido de interceptação telefônica em ação que investigava uma quadrilha de traficantes.

 

   Os grampos foram realizados em 2014 e 2015, quando o magistrado atuava na comarca de Cáceres. Atualmente ele trabalha na 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital. O pedido teria partido da Polícia Militar, entregue ao Ministério Público Estadual (MPE) e levado para decisão da Justiça.

 

   O juiz Jorge Ferreira informou não ter certeza se foi ele quem deu autorização, uma vez que se trata de decisão antiga. Todavia, ele informou que já pediu a documentação do caso para a comarca de Cáceres, para confirmar se foi ele ou não o autor da decisão.

 

   “A única coisa que eu posso informar a vocês é que se houve algum erro, alguma ilegalidade, essa ilegalidade não partiu nem de mim, nem do promotor de Justiça. Mas agora, nesse momento eu não posso falar se o responsável é José ou Manoel. Se eu fizesse isso, eu não estaria sendo juiz, porque a gente não pode acusar sem ter a formalização”, afirmou.

 

   O suposto esquema foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque quando ele ocupou a secretaria de Estado de Segurança Pública, em 2015.

 

   As interceptações clandestinas teriam sido feitas pela Polícia Militar de Mato Grosso, em tese, sob a conivência do governador Pedro Taques (PSDB).

 

   Para Jorge Ferreira, o caso tem que ser investigado e os culpados devem ser severamente punidos. “O que eu quero deixar claro é o seguinte: não houve participação do juiz nem do promotor de Justiça e pode ter certeza que ao final disso tudo, e sendo realmente provados os verdadeiros culpados, eles devem arcar com as consequências, tem que pagar pelos erros”, afirmou o juiz.

 

   Conforme Jorge Ferreira, caso fique comprovado que o juízo foi induzido a erro, a Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) também irá tomar providências.