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ESCUTAS CLANDESTINA: Ex-secretário diz a MP que detalhou esquema de grampos a governador em 2015

09/10/2017 às 19:18

Fonte: Da Redação com G1 MT

Fábio Galindo, ex-secretário de Segurança de MT, disse em depoimento ao MPE que fez apresentação em power point a Pedro Taques (PSDB), na casa do governador, detalhando esquema, em outubro de 2015.

 

O ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Fábio Galindo, disse, em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), que, em outubro de 2015, ele e o então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, explanaram ao governador Pedro Taques (PSDB) detalhes das interceptações clandestinas feitas por policiais militares no governo do estado.

À época, Galindo era secretário adjunto da pasta. O escândalo dos grampos só veio à tona em maio deste ano, em reportagem exibida no Fantástico. O governo ainda não se manifestou sobre as declarações do ex-secretário.

Inclusive, segundo Galindo, houve reunião na casa de Pedro Taques entre ele, Mauro Zaque e o governador, quando foi mostrada ao governador uma apresentação em power point a respeito do esquema de grampos. Essa apresentação foi feita antes de ter sido protocolado o segundo ofício na Casa Civil denunciando o crime. O ofício, contendo provas das interceptações clandestinas, foi protocolado em 14 de outubro de 2015.

Galindo disse que Zaque recebeu uma denúncia anônima sobre o esquema. Toda a documentação sobre o caso, de acordo com o ex-secretário, que, assim como Mauro Zaque, é promotor de Justiça, foi encaminhada ao governador Pedro Taques.

"Que foi comunicado pessoalmente o governador Pedro Taques, inclusive com a apresentacão de programa power point na residência do mesmo (...) A apresentação foi impressa e consta dos autos do Procedimento Investigatório Criminal, que inclusive a redação dos ofícios assinados conjuntamente coube ao declarante, enquanto secretário executivo de Segurança Pública", diz trecho do depoimento de Fábio Galindo, citado na conclusão do inquérito que apurou denúncia feita por Taques contra Mauro Zaque.

MPE arquivou na sexta-feira (6) a investigação contra Mauro Zaque por falta de provas de que ele teria suposta participação na fraude do protocolo geral referente à denúncia de interceptações ilegais no governo, como Taques havia denunciado.

De acordo com Fábio Galindo, esse segundo ofício era muito mais robusto que o primeiro e trazia informações importantes para a investigação, como os dados de pessoas interceptadas ilegalmente, entre elas deputados, jornalistas e até mesmo uma suposta namorada do então secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, que é primo do governador e está preso desde o dia 27 por suspeita de tentar prejudicar as investigações sobre os grampos. 

Galindo disse que Mauro Zaque deixou a Segurança Pública após desgaste causado pela inércia do governador em relação aos grampos (Foto: Renê Dióz / G1)

Galindo disse que Mauro Zaque deixou a Segurança Pública após desgaste causado pela inércia do governador em relação aos grampos (Foto: Renê Dióz / G1)

O ex-secretário disse ao MPE que ele e o então secretário Mauro Zaque resolveram protocolar formalmente no setor de protocolo da Casa Civil para não gerar dúvidas ou suspeitas descabidas. "Entre um ofício e outro houve uma mudança radical de conteúdo, haja vista que constatou-se a gravidade muito maior dos fatos levantado à necessidade de formalizar via protocolo a comunicação oficial dirigida ao governador Pedro Taques", diz trecho do depoimento dele.

O protocolo, no entanto, foi fraudado, como concluiu uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE). A auditoria identificou que o documento chegou a ser protocolado na Casa Civil, mas que foi substituído por outro documento, com o mesmo número, que se tratava de um pedido de obras em Juara, a 690 km de Cuiabá.

De acordo com Fábio Galindo, Pedro Taques não gostou da atitude deles em protocolar o segundo ofício, contendo provas dos grampos, o que gerou um desgaste entre o chefe do Executivo e Mauro Zaque.

"De outubro/2015 a dezembro/2015 houve um desgaste muito grande entre o então secretário Mauro Zaque e o comandante geral da PM Zaqueu Barbosa por ter Mauro Zaque levado ao conhecimento do governador a situação de possível escritório clandestino de escutas ilegais, com o possível envolvimento do comandante geral da PM, de forma inclusive a comprometer a harmonia fundamental para o bom funcionamento do sistema de segurança", declarou o ex-secretário ao MPE. Zaqueu está preso desde maio.

Esse desgaste levou o então secretário a pedir a exoneração do cargo. Mauro Zaque voltou a atuar no Ministério Público Estadual e, depois de um ano fora do governo, denunciou o caso à Procuradoria Geral da República (PGR).

Com a saída de Mauro Zaque, Galindo assumiu o comando da Sesp em dezembro de 2015. Ele ficou no cargo até março de 2016. Ele saiu em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede membros do Ministério Público (MP) de desempenhar funções no Poder Executivo.

Na sequência, tomou posse do cargo o delegado Rogers Jarbas, que foi preso na Operação Esdras, deflagrada pela Polícia Civil no último dia 27. Jarbas, Paulo Taques e outros ex-integrantes do primeiro escalão do governo do estado foram presos nessa operação.