Hoje é dia 23/10/17

Notícias » Política

DENÚNCIA: Família de deputado reclama de tratamento dado a ele na prisão e ALMT averigua denúncia

09/10/2017 às 19:14

Fonte: Da Redação com G1 MT

Presidente da Comissão de Ética da Assembleia informou que denúncia foi apurada e concluiu que não houve tratamento desigual a Gilmar Fabris (PSD), no Centro de Custódia de Cuiabá.

 

Familiares do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), preso desde o dia 15 do mês passado, fizeram denúncia à Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) de suposto tratamento inadequado dado ao parlamentar, no Centro de Custódia de Cuiabá. A visita foi feita há aproximadamente duas semanas, mas a informação só foi confirmada ao G1 nesta segunda-feira (9), pelo presidente da Comissão de Ética da ALMT, deputado Leonardo Albuquerque (PSD).

Fabris foi preso por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de obstrução da Justiça. Câmeras do circuito de segurança do prédio onde ele mora, em Cuiabá, registraram o momento em que ele deixa a casa dele às pressas de pijama e chinelo, com uma pasta na mão, minutos antes da chegada da Polícia Federal, para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no local, na Operação Malebolge.

A denúncia foi repassada à Comissão de Ética da ALMT para averiguação. "Os familiares falaram que ele estava tendo tratamento diferenciado e que ele tem problemas de saúde e precisava de atenção, daí o presidente me acionou, me passou a situação e falei para irmos ao juiz e relatei o caso a ele", disse o presidente da comissão.

Albuquerque e o presidente da Casa de Leis, Eduardo Botelho (PSB), procuraram o juiz Geraldo Fidélis, da Vara de Execuções Penais, para tirar dúvidas sobre a prisão de Fabris.

"O juiz disse que lá tem equipes de saúde que podem medir a pressão, medir a glicemia. Daí fomos juntos com o juiz e com o diretor e eles explicaram que lá tem profissionais que podem atendê-lo e que ele estava com as medicações necessárias", afirmou o deputado, ao explicar que a denúncia era infundada.

Ele disse que as restrições a Gilmar Fabris são as mesmas aplicadas aos outros presos no Centro de Custódia.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp) informou que ele faz caminhada duas vezes ao dia, por recomendação médica, na unidade prisional, e que as refeições recebidas pelo parlamentar é a mesma oferecida aos demais presos da unidade. Ele tem direito a café da manhã, almoço e jantar. A caminhada é realizada no espaço destinado ao banho de sol.

Vídeo mostra deputado Gilmar Fabris saindo de pijama, segundo a PF

Vídeo mostra deputado Gilmar Fabris saindo de pijama, segundo a PF

 

Saindo às pressas

 

As câmeras de segurança do prédio onde ele mora registraram o momento que o deputado pega o elevador do prédio às 5h34 do dia 14 - data da operação, de pijama e chinelo, e com uma mala pequena nas mãos, segundo a decisão do ministro do STF Luiz Fux, que determinou a prisão dele. A maleta, de acordo com a PGR, poderia conter documentos de interessa da investigação, além de dinheiro.

No pedido de prisão feito ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria Geral da República (PGR) argumenta que há indícios de que ele tenha tomado conhecimento da operação e deixado a casa às pressas antes da chegada dos agentes da PF na casa dele para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.

Vinte minutos depois que Fabris saiu de casa, acompanhado da mulher, um carro dos agentes da Polícia Federal estaciona na frente do prédio.

 

Em busca da maleta

 

A maleta, com a qual Fabris foi visto saindo do prédio, segundo a PGR, teria documentos de interesse da investigação, além de dinheiro. Para tentar apreender a maleta, Fux determinou busca e apreensão nas casas e escritórios do advogado e de um concunhado do deputado, com os quais Fabris foi visto em um restaurante, no mesmo dia da operação Malebolge, depois de ter saído de casa às pressas. Os mandados foram cumpridos pela PF no último dia 27.

Depois da prisão, Fabris disse à PF que esteve nesse estabelecimento para tomar café da manhã com a mulher, a sogra, o cunhado dele, Ocimar Carneiro, e a cunhada, mas não citou o advogado Ricardo Spinelli. A Justiça então analisou as imagens registradas pelo circuito interno de câmeras da lanchonete e viu que, além das pessoas informadas por ele, o advogado também estava no local.

"Em dado momento, consoante os registros da câmera instalada na parte externa do estabelecimento, o cunhado de Gilmar, o também advogado Ocimar Carneiro Campos, se dirigiu ao veículo do deputado estadual, que se encontrava no estacionamento, e, de seu interior, retirou a valise preta (maleta) em posse da qual Gilmar se evadira no início da manhã, levando-a ao interior do restaurante", afirma o ministro.

Segundo ele, dentro do restaurante, Ocimar pegou alguns documentos que estavam na pasta. "Ocimar retirou os documentos que estavam no interior da valise e os repassou ao advogado Ricardo, que, mais tarde, ao deixar o restaurante, levou os documentos consigo", diz.