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ARAPONGAGEM FANTÁSTICA: Com assessor grampeado, vice-governador cobra rigor; MPE vê barbaridade criminosa

17/05/2017 às 06:21

Fonte: Da Redação com FM

Um dos alvos de interceptações telefônicas ilegais, o assessor da vice-governadoria de Mato Grosso, Kembolle Amilkar de Oliveira, afirmou nesta terça-feira que não tem a mínima ideia dos motivos que o levaram a ser monitorado pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar em 2015. "Olha, não sei falar porque estas coisas nem chegam para mim né. Eu trabalho na TI e tal. Não tem nada a ver. Olha, eu não faço ideia", declarou por telefone a TV Centro América (Rede Globo).

Já o vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro (PSD), considerou que a denúncia é séria e precisa ser investigada com rigor. Ele garantiu que confia que o governador Pedro Taques (PSDB) não tenha nenhum envolvimento com o escândalo porque confia "no caráter e consideração" do chefe do Executivo de Mato Grosso.

Kembolle explicou que atua no setor de Tecnologia da Informação do gabinete no palácio Paiaguás. Além dele, outros políticos, advogados, médicos, servidores públicos e jornalistas foram monitorados ilegalmente no ano de 2015.

O esquema de escutas ilegais foi denominado de "barriga de aluguel" e acabou sendo denunciado pelo promotor e ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, em reportagem exibido pelo Fantástico no último domingo. A denúncia encaminhada a Procuradoria Geral da República também é assinada pelo também ex-secretário e também ex-promotor em Minas Gerais, Fábio Galindo.

Com o pretexto de monitorar uma quadrilha de traficantes com envolvimento de policiais militares, o Serviço de Inteligência da conseguiu a autorização judicial para promover as interceptações. No entanto, os números de pessoas que não tinham relação com os crimes eram incluídos indevidamente.

Os grampos foram solicitados num relatório elaborado pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior. Ele e comandante da PM à época dos fatos, Zaqueu Barbosa, ainda não deram entrevistas sobre o assunto.

BARBARIDADE CRIMINOSA

A utilização de intercpetações clandestinas ligou a "luz amarela" no Ministério Público Estadual. O coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), Marcos Bulhoes, explicou que "a interceptação telefônica é utilizada quando você não tem outros meios de obter determinadas provas".

Já o procurador geral de Justiça, Mauro Curvo, reagiu com indignação. "É lamentável e uma barbaridade criminosa que agentes públicos se utilizem de uma estrutura que é bancada pela sociedade através dos seus impostos de forma ilegal. Não se deixar que uma estrutura que era para dar segurança ao cidadão seja usada para invadir a privacidade das pessoas", afirmou.